Voltar de férias e, ante a paisagem, lembrar de um episódio de The Big Bang Theory em que o Sheldon pergunta à Penny como ela pode ter certeza de que não foi furtada (dada a bagunça em que o apartamento se encontra) não é muito confortante.
É aquela repetição de sempre, na ponta aérea Natal-Curitiba. Um abandono de apartamento na saída, o choque de se deparar com a bagunça quando se chega. Mas dá pra sobreviver; devagar e sempre. Uma louça lavada aqui, um banheiro tornado usável ali, uma lista de compras que vai sendo construída à medida que o sabão vai acabando depois de tantos ciclos de lavar lençóis e toalhas, que você encontra panos de prato que precisam ir pro lixo, que você vê o vazio que toma conta da geladeira, que seu estoque de fibras já passou há tempos da data de validade. Somando-se a isso a caixa de correio repleta de contas atrasadas que precisam ser pagas e os papéis de aplicação pro intercâmbio que precisam ser providenciados.
Pernas doendo, cansaço, tudo amplificado pelo sedentarismo e pelo calor de trinta e tantos graus, sem falar na descoberta de que a diarista que poderia dar uma mão resolveu na verdade dar um calote em vários moradores do prédio e ficar incontactável.
Mas daqui a uns dias, o apartamento volta a ser salubremente habitável. Um pouco por dia, ele vai voltando a ser o lugar confortável para onde voltar no fim do dia cansativo. Assim espero.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
a praia
Quem me conhece sabe que eu não gosto de praia. Na verdade, não é bem uma questão de não gostar da praia, eu até que gosto; o problema é não gostar da praia da mesma maneira que as outras pessoas.
Praia pra mim é chegar de vestidinho e chinelo, bem cedinho de manhã, sentar numa mesa com um guarda-sol enorme e ficar olhando o mar e sentindo a maresia na cara, enquanto eu espero um caranguejo ou uma água de coco chegar. Ou então umas caminhadas enormes de fim de tarde ou à noite, dessas que sempre duram o tempo de criar uma vontade gigantesca de sentar pra comer açaí falando da vida própria e alheia.
Porque, assim: eu até gosto de banho de mar, mas veja bem, eu sou uma pessoa muito cheia de frescuras e complexos acumulados. Não gosto muito de tomar sol, porque me dá aquela moleza gigante; não gosto da água fria e do frio ainda maior quando se sai do mar e bate aquele vento no corpo molhado, odeio ficar com o cabelo grudento de sal, molhado molengo pingando nas costas; odeio aquela água salgada destruindo seus olhos e encriquilhando a pele, sobretudo se eu não puder, expresso!, correr pra uma ducha de água doce salvadora - a qual, no entanto, não me livra da sensação incômoda de estar com a bunda molhada por mais que você se se seque. (Sinta o drama da pessoa.)
Mas quando a romena tava aqui, louca pra conhecer o oceano Atlântico e cheia de planos frustrados de idas à praia com o pessoal do laboratório, me rendi, disse que faria companhia e fui à praia.
Devo mencionar que estou em Curitiba, estávamos no meio de uma semana fria e nublada de setembro (alguém avisa que já é primavera?) e todas as pessoas sempre me diziam que as praias do PR são extremamente brochantes: nunca tinha tido a curiosidade nem a disposição de ir. O que é muito natural de mim, considerando que eu passo as férias em Natal e mal vou pra praia e a última vez que eu tinha entrado no mar - e por uns poucos minutos - datava de janeiro2009. E nem é que seja assim tão longe, mas foi toda uma jornada rumo ao oceano.
Acordar cedo num domingo, após ter ido dormir tarde no sábado, já é por si só um esforço considerável. Vesti biquíni, coloquei protetor solar na bolsa e rumei pra rodoviária, torcendo pra que o sol fosse gentil e não sumisse. Mais de 2h num ônibus, pra chegar num lugar semi esquisito e ainda pegar um barco e assim poder chegar na única praia recomendada como decente nesse vasto litoral paranaense: Ilha do Mel. Promessas de trilhas e forte e faróis e reserva ecológica, coisas que eu passaria o dia fazendo de boa, mas a romena só queria saber de fotos e de se jogar na água da primeira praia com ondas que a gente viu.
Então tá, né. Já tou aqui mesmo e esse vai ser meu domingo inteiro, para o bem ou para o mal. Entrei na onda e pronto: fiquei durante horas e horas no mar, mergulhando, levando caldo, me enchendo de areia, sendo arrastado pra longe das bolsas, correndo de volta, sendo açoitada pelas ondas que vinham fortes de todas as direções, até que de repente o sol resolveu lembrar que isso aqui não é Nordeste, fechou o tempo e nos presenteou com chuva no fim do dia (ainda bem que a essa hora a gente já tava sã, salva e dormindo dentro do ônibus, depois de o perder na rodoviária e ter que tomar um táxi pra alcançá-lo no próximo ponto).
Até que foi bom, no fim das contas. Me esforcei herculeamente para não reclamar o tempo todo de tudo o que me incomodava, e surtiu efeito. Exceto pela parte das queimaduras no ombro, que vieram fortes apesar do protetor solar e devidas reaplicações e que tornaram minhas noites muito menos agradáveis do que costumam ser. Mas fique registrado que tive minha cota de mar por um boooom tempo.
(Mostro fotos depois; estou usando computador alheio porque o meu resolveu morrer de leve.)
Praia pra mim é chegar de vestidinho e chinelo, bem cedinho de manhã, sentar numa mesa com um guarda-sol enorme e ficar olhando o mar e sentindo a maresia na cara, enquanto eu espero um caranguejo ou uma água de coco chegar. Ou então umas caminhadas enormes de fim de tarde ou à noite, dessas que sempre duram o tempo de criar uma vontade gigantesca de sentar pra comer açaí falando da vida própria e alheia.
Porque, assim: eu até gosto de banho de mar, mas veja bem, eu sou uma pessoa muito cheia de frescuras e complexos acumulados. Não gosto muito de tomar sol, porque me dá aquela moleza gigante; não gosto da água fria e do frio ainda maior quando se sai do mar e bate aquele vento no corpo molhado, odeio ficar com o cabelo grudento de sal, molhado molengo pingando nas costas; odeio aquela água salgada destruindo seus olhos e encriquilhando a pele, sobretudo se eu não puder, expresso!, correr pra uma ducha de água doce salvadora - a qual, no entanto, não me livra da sensação incômoda de estar com a bunda molhada por mais que você se se seque. (Sinta o drama da pessoa.)
Mas quando a romena tava aqui, louca pra conhecer o oceano Atlântico e cheia de planos frustrados de idas à praia com o pessoal do laboratório, me rendi, disse que faria companhia e fui à praia.
Devo mencionar que estou em Curitiba, estávamos no meio de uma semana fria e nublada de setembro (alguém avisa que já é primavera?) e todas as pessoas sempre me diziam que as praias do PR são extremamente brochantes: nunca tinha tido a curiosidade nem a disposição de ir. O que é muito natural de mim, considerando que eu passo as férias em Natal e mal vou pra praia e a última vez que eu tinha entrado no mar - e por uns poucos minutos - datava de janeiro2009. E nem é que seja assim tão longe, mas foi toda uma jornada rumo ao oceano.
Acordar cedo num domingo, após ter ido dormir tarde no sábado, já é por si só um esforço considerável. Vesti biquíni, coloquei protetor solar na bolsa e rumei pra rodoviária, torcendo pra que o sol fosse gentil e não sumisse. Mais de 2h num ônibus, pra chegar num lugar semi esquisito e ainda pegar um barco e assim poder chegar na única praia recomendada como decente nesse vasto litoral paranaense: Ilha do Mel. Promessas de trilhas e forte e faróis e reserva ecológica, coisas que eu passaria o dia fazendo de boa, mas a romena só queria saber de fotos e de se jogar na água da primeira praia com ondas que a gente viu.
Então tá, né. Já tou aqui mesmo e esse vai ser meu domingo inteiro, para o bem ou para o mal. Entrei na onda e pronto: fiquei durante horas e horas no mar, mergulhando, levando caldo, me enchendo de areia, sendo arrastado pra longe das bolsas, correndo de volta, sendo açoitada pelas ondas que vinham fortes de todas as direções, até que de repente o sol resolveu lembrar que isso aqui não é Nordeste, fechou o tempo e nos presenteou com chuva no fim do dia (ainda bem que a essa hora a gente já tava sã, salva e dormindo dentro do ônibus, depois de o perder na rodoviária e ter que tomar um táxi pra alcançá-lo no próximo ponto).
Até que foi bom, no fim das contas. Me esforcei herculeamente para não reclamar o tempo todo de tudo o que me incomodava, e surtiu efeito. Exceto pela parte das queimaduras no ombro, que vieram fortes apesar do protetor solar e devidas reaplicações e que tornaram minhas noites muito menos agradáveis do que costumam ser. Mas fique registrado que tive minha cota de mar por um boooom tempo.
(Mostro fotos depois; estou usando computador alheio porque o meu resolveu morrer de leve.)
domingo, 16 de agosto de 2009
sendo anfitriã
Os tunisianos chegaram sexta de manhã e fomos eu e Regina buscá-los na rodoviária. Eu sou anfitriã, a pessoa que dá teto, cama, café da manhã, um lugar pra lavar roupa e um chá das 5; ela é a madrinha, a pessoa que busca quando chega, ensina os lugares na cidade e leva pra passear. Mas claro que eu vou junto na hora dos passeios, hehe.
É lógico que eles não vieram da Tunísia de ônibus; desceram no Rio, passaram uma noite lá e depois vieram pra Curitiba. Eles parecem ser pessoas bacanas e fiquei feliz por eles serem bem dispostos a conhecer as coisas diferentes daqui e não parecerem ser muito frescurentos. Como praticamente o país inteiro, eles são muçulmanos, mas ainda não vi nenhuma vez eles rezando pra Mecca, haha. Amine não come carne de porco, mas Alia não tá nem aí
O que eu mais fiquei de cara é que eu tava esperando duas meninas, porque nos e-mails que recebi, o assunto sempre era "as tunisianas". Aí na noite anterior à chegada, mando uma SMS feliz começando com "hey girls". E a resposta, qual foi? "LOL, we're a boy and a girl". Sobre isso, apenas um comentário: eu espero muito não depender da pessoa que atualmente coordena os estágios para poder viajar (se tudo der certo) no ano que vem (ainda não sei bem pra onde). Se alguém que organiza as coisas não sabe nem o sexo de quem tá vindo, imagina o resto dos ajustes.
No 1º dia, fomos dar umas voltas pelo Centro da cidade, mostrar as coisas legais aqui por perto e eles já se aventuraram e omeram pamonha, pastel e suco de maracujá. De noite, fiz um cuscuz com ovo, hahaha, porque se quer comer comida brasileira, então taqui. (É que na Tunísia o prato principal também se chama cuscuz, mas é diferente; feito de trigo e tal.)
Ontem, fomos comprar coisas no Centro, depois almoçar numa churrascaria que tinha feijoada, feijão tropeiro e macaxeira frita. E depois fomos visitar um parque onde vários outros intercambistas do mesmo esquema estavam: 3 italianas, um português e um japonês. Todo mundo combinando de jantar numa super churrascaria à noite e depois ir no forró para dançar. Acabei nem indo junto, porque além de não gostar estava pobre, haha.
E hoje eles acordaram cedíssimo e foram pra Morretes, uma cidade vizinha que eu nem conheço ainda. Adoro empolgação turística: é uma coisa que me comove. Na verdade, acho ruim é o fato de que, depois de um tempo, você meio que se acostuma com as possibilidades e acabe deixando tudo pra depois. E a falta de companhias pra rolés tronxo aventureiros também pesa um tanto nisso.
Enfim, depois eu falo mais. Tá na hora do almoço.
É lógico que eles não vieram da Tunísia de ônibus; desceram no Rio, passaram uma noite lá e depois vieram pra Curitiba. Eles parecem ser pessoas bacanas e fiquei feliz por eles serem bem dispostos a conhecer as coisas diferentes daqui e não parecerem ser muito frescurentos. Como praticamente o país inteiro, eles são muçulmanos, mas ainda não vi nenhuma vez eles rezando pra Mecca, haha. Amine não come carne de porco, mas Alia não tá nem aí
O que eu mais fiquei de cara é que eu tava esperando duas meninas, porque nos e-mails que recebi, o assunto sempre era "as tunisianas". Aí na noite anterior à chegada, mando uma SMS feliz começando com "hey girls". E a resposta, qual foi? "LOL, we're a boy and a girl". Sobre isso, apenas um comentário: eu espero muito não depender da pessoa que atualmente coordena os estágios para poder viajar (se tudo der certo) no ano que vem (ainda não sei bem pra onde). Se alguém que organiza as coisas não sabe nem o sexo de quem tá vindo, imagina o resto dos ajustes.
No 1º dia, fomos dar umas voltas pelo Centro da cidade, mostrar as coisas legais aqui por perto e eles já se aventuraram e omeram pamonha, pastel e suco de maracujá. De noite, fiz um cuscuz com ovo, hahaha, porque se quer comer comida brasileira, então taqui. (É que na Tunísia o prato principal também se chama cuscuz, mas é diferente; feito de trigo e tal.)
Ontem, fomos comprar coisas no Centro, depois almoçar numa churrascaria que tinha feijoada, feijão tropeiro e macaxeira frita. E depois fomos visitar um parque onde vários outros intercambistas do mesmo esquema estavam: 3 italianas, um português e um japonês. Todo mundo combinando de jantar numa super churrascaria à noite e depois ir no forró para dançar. Acabei nem indo junto, porque além de não gostar estava pobre, haha.
E hoje eles acordaram cedíssimo e foram pra Morretes, uma cidade vizinha que eu nem conheço ainda. Adoro empolgação turística: é uma coisa que me comove. Na verdade, acho ruim é o fato de que, depois de um tempo, você meio que se acostuma com as possibilidades e acabe deixando tudo pra depois. E a falta de companhias pra rolés tronxo aventureiros também pesa um tanto nisso.
Enfim, depois eu falo mais. Tá na hora do almoço.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
passadeira
Eu não me importo em lavar louça, sobretudo usando minhas luvinhas amarelas que não deixam a água fria tocar as mãos. Não me importo em varrer a casa. Não me importo em lavar a geladeira. (Com isso quero na verdade dizer: uma coisa é ter preguiça, outra coisa é ter abuso.) Mas algumas tarefas domésticas são imensamente mais chatas do que outras. Sem mencionar meio inúteis.
Passar roupas, por exemplo, é uma coisa muito irritante. Geralmente eu fujo disso: coloco a roupa o mais esticadinha possível no varal e zás! Dá aquela passadinha de mão e dobra, pronto. Mas às vezes não funciona, tipo quando você faz aquele embolado na hora da preguiça, ou quando o tecido é daqueles bem prisiacas, que ficam cheio de vincos e só no ferro bem quente pra dar jeito.
Tou aqui com um monte de coisas que precisam ser dobradas ou empilhadas pra passar mais tarde. Acho chato, mas coloca um sonzinho e a gente vai levando. Mas tem coisa que eu me recuso. Por exemplo, passar pijama. Lá em casa, mainha faz questão, mas nunca entendi o propósito de gastar tempo e energia pra esticar uma roupa que você usa pra dormir e depois vai acordar tão amassada quanto (ou até mais do que) no momento em que você tira do varal. Aqui vai tudo direto pra pilha de guardar no armário.
(Se dependesse só do abuso que eu tenho de passar orupa, teria apenas roupas de malha. Meu senso de ridículo e minhas banhas não deixam.)
Passar roupas, por exemplo, é uma coisa muito irritante. Geralmente eu fujo disso: coloco a roupa o mais esticadinha possível no varal e zás! Dá aquela passadinha de mão e dobra, pronto. Mas às vezes não funciona, tipo quando você faz aquele embolado na hora da preguiça, ou quando o tecido é daqueles bem prisiacas, que ficam cheio de vincos e só no ferro bem quente pra dar jeito.
Tou aqui com um monte de coisas que precisam ser dobradas ou empilhadas pra passar mais tarde. Acho chato, mas coloca um sonzinho e a gente vai levando. Mas tem coisa que eu me recuso. Por exemplo, passar pijama. Lá em casa, mainha faz questão, mas nunca entendi o propósito de gastar tempo e energia pra esticar uma roupa que você usa pra dormir e depois vai acordar tão amassada quanto (ou até mais do que) no momento em que você tira do varal. Aqui vai tudo direto pra pilha de guardar no armário.
(Se dependesse só do abuso que eu tenho de passar orupa, teria apenas roupas de malha. Meu senso de ridículo e minhas banhas não deixam.)
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