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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

colocando as novidades em dia, parte I: os intercambistas

Fiquei de cara quando parei pra pensar (graças a um comentário da AnaLoo) há quanto tempo eu não escrevia por aqui: quase 2 meses. E não é como se fossem 2 meses sem novidade alguma, porque na verdade aconteceram várias e várias coisas. Então vamos por partes:

Em se tratando de intercâmbios, os tunisianos ficaram uns dias, mal pisaram no estágio designado pra eles no hospital e saíram viajando loucamente por aí, conhecendo um monte de coisas do Brasil que eu nunca nem cheguei perto, tipo o Rio de Janeiro e Parati. Não sem antes me levarem pra ver o 1º jogo de futebol num estádio, num dia de chuva, capas de plástico e arquibancadas molhadas. Foram embora no final de agosto e nunca mais deram notícias. Não devem ter me curtido muito, no fim das contas. Talvez esperassem uma brasileira sambista e fã de praia e futebol, mas, né? Eles estavam em Curitiba e eu sou uma vergonha pra raça; nem CDs de música brasileira eu tinha as manhas de saber recomendar. Mas foi uma experiência legal, e eles me apresentaram à delícia que é comer halwa chamia (é tipo uma paçoquinha de gergelim) com azeite de oliva no pão. Nham. (Quero ver onde é que eu vou encontrar isso pra vender aqui no Brasil, mas tudo bem.)

Uns dias depois, estava eu bem sossegada num sábado à tarde, quando recebo a ligação que mudaria meu setembro inteiro: "Ana, você pode receber algum intercambista na sua casa?". Depois da minha resposta positiva que veio sem muita reflexão, no outro dia de manhã me aparece uma romena baixinha, gordinha, sorridente e muito querida pra passar o mês inteiro aqui no apartamento. Essa era mais tranqüila, mais caseira, mais parecida comigo. Gostei mais dela e a recíproca foi super válida.

Conversávamos bastante, enquanto ela amenizava os estragos nas minhas unhas quebradas/roídas em noites frias de café e músicas dos mais variados estilos. (Inclusive, ela destruiu minhas estatísticas nos sites de música, ouvindo coisas bizarras no repeat durante horas, quando eu esquecia de desligar o plugin que registra tudo.) Morri de rir com as tentativas dela de falar português, assim como ela ria com minhas tentativas de falar romeno. Mas ela até que aprendeu um bocado e de vez em quando eu e meus amigos nos surpreendíamos com ela fazendo algum comentário sobre algum diálogo que tinha acontecido totalmente em português.

Foi legal ter companhia em casa para jantar e tomar café da manhã, pra desabafar de um dia ruim, pra sair à noite, pra dar uma volta no Mercado Municipal, mas acho que já me acostumei muito com a vida de morar sozinha e essa experiência me fez repensar muito se eu teria a paciência suficiente de morar com uma pessoa estranha, por mais que a gente se desse bem de cara.

E me fez ter consciência de que eu não sou uma pessoa muito boa pra receber visitas com tanta freqüência: além de não saber muito sobre a cultura local, e frustrar o estereótipo de Brasil das pessoas, a chance de eu deixar minhas coisas importantes de lado é alta e depois vem com força o desespero de não-vai-dar tempo-não! Mas já tive o bastante de intercâmbios por esse ano, acho. E não acho que mais ninguém venha tão cedo, anyway. Agora é só decidir pra onde eu vou ano que vem e tentar incluir a Romênia em algum ponto da viagem.

domingo, 16 de agosto de 2009

sendo anfitriã

Os tunisianos chegaram sexta de manhã e fomos eu e Regina buscá-los na rodoviária. Eu sou anfitriã, a pessoa que dá teto, cama, café da manhã, um lugar pra lavar roupa e um chá das 5; ela é a madrinha, a pessoa que busca quando chega, ensina os lugares na cidade e leva pra passear. Mas claro que eu vou junto na hora dos passeios, hehe.

É lógico que eles não vieram da Tunísia de ônibus; desceram no Rio, passaram uma noite lá e depois vieram pra Curitiba. Eles parecem ser pessoas bacanas e fiquei feliz por eles serem bem dispostos a conhecer as coisas diferentes daqui e não parecerem ser muito frescurentos. Como praticamente o país inteiro, eles são muçulmanos, mas ainda não vi nenhuma vez eles rezando pra Mecca, haha. Amine não come carne de porco, mas Alia não tá nem aí

O que eu mais fiquei de cara é que eu tava esperando duas meninas, porque nos e-mails que recebi, o assunto sempre era "as tunisianas". Aí na noite anterior à chegada, mando uma SMS feliz começando com "hey girls". E a resposta, qual foi? "LOL, we're a boy and a girl". Sobre isso, apenas um comentário: eu espero muito não depender da pessoa que atualmente coordena os estágios para poder viajar (se tudo der certo) no ano que vem (ainda não sei bem pra onde). Se alguém que organiza as coisas não sabe nem o sexo de quem tá vindo, imagina o resto dos ajustes.

No 1º dia, fomos dar umas voltas pelo Centro da cidade, mostrar as coisas legais aqui por perto e eles já se aventuraram e omeram pamonha, pastel e suco de maracujá. De noite, fiz um cuscuz com ovo, hahaha, porque se quer comer comida brasileira, então taqui. (É que na Tunísia o prato principal também se chama cuscuz, mas é diferente; feito de trigo e tal.)

Ontem, fomos comprar coisas no Centro, depois almoçar numa churrascaria que tinha feijoada, feijão tropeiro e macaxeira frita. E depois fomos visitar um parque onde vários outros intercambistas do mesmo esquema estavam: 3 italianas, um português e um japonês. Todo mundo combinando de jantar numa super churrascaria à noite e depois ir no forró para dançar. Acabei nem indo junto, porque além de não gostar estava pobre, haha.

E hoje eles acordaram cedíssimo e foram pra Morretes, uma cidade vizinha que eu nem conheço ainda. Adoro empolgação turística: é uma coisa que me comove. Na verdade, acho ruim é o fato de que, depois de um tempo, você meio que se acostuma com as possibilidades e acabe deixando tudo pra depois. E a falta de companhias pra rolés tronxo aventureiros também pesa um tanto nisso.

Enfim, depois eu falo mais. Tá na hora do almoço.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

continue a limpar

Um dialogo de MSN muito sincero de alguns minutos atrás:

Rubber Cannonball says:
vc já leu sobre a tunísia?
pra vc n falar bobagem pra ela ;P~

ana says:
ainda não
tou mais preocupada em arrumar a casa
porque tá tudo uma bagunça
terminei de limpar e arrumar o quarto dela
agora vou varrer o resto da casa
e limpar o banheiro

Rubber Cannonball says:
nossa
vc tem q receber uma vez por mês então ;P~


Haha. Pior que é verdade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

gente em casa

Já moro sozinha há alguns meses. Já me acostumei com o silêncio, com o aumento da bagunça, com a louça que sempre é minha, com a chave-reserva sempre em cima da estante, com a ausência de alguém pra comentar sobre a música que tá tocando.

Esse fim de semana Tory veio pra cá, fuga relâmpago de São Paulo só pra mudar de ares e com passagem de volta já comprada, porque as pessoas agora são gente grande e trabalham. Adoro receber pessoas aqui, mas como a maioria dos meus amigos mora em Natal, visitas não são uma constante.

Enfim. Conversamos um bocado sobre sair de casa, mudar de cidade, morar com pessoas e tudo o mais. Ela tá se organizando pra mudar com mais 2 amigas e passando por todas as coisas chatas de procurar apartamento com preço razoável e boa localização (o que, considerando o fator São Paulo da coisa, me pareceu ser um martírio).

Conversa vai e vem, fico pensando que, sim, seria legal morar com alguém bacana de novo. Voltar a fazer as refeições à mesa, ao invés de assistindo seriado ou clipes na MTV. Ter com quem conversar coisas bobas do dia, sobretudo se fosse alguém fora do curso, porque falar de Medicina 24/7 não me parece uma opção tão válida. Talvez eu só precisasse me empenhar em conhecer mais gente aqui e descobrir contatos de gente que precisa de um apartamento. (Às vezes queria que a sociabilidade e a tagarelice dos meus pais tivesse vindo como herança genética.)

Enquanto isso não acontece, movida por uma leve solidão e por uma vontade de conhecer gente nova (me bate às vezes, apesar da timidez constante), me candidatei pra receber uma das tunisianas que vão chegar essa semana para os intercâmbios da faculdade. Espero que dê certo. De qualquer forma, arrumar a bagunça do quarto vazio (que virou semi-despejo) não mata ninguém.